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sexta-feira, 18 de março de 2016

QUAL REPELENTE USAR?



A dengue é uma realidade no nosso meio e o número de casos, neste ano, já é maiores do que os do ano passado, no mesmo período. Somos e seremos bombardeados com informações, importantíssimas, referentes à prevenção. Essencialmente, devemos ser muito mais cuidadosos do que somos com a possibilidade de água limpa ficar parada. É nesse meio que o mosquito da dengue se reproduz. Além das medidas de prevenção com relação ao aumento de mosquitos, que todos nós deveríamos aderir de forma metódica e disciplinada, existem alguns cuidados que podem ser tomados para prevenir as picadas do inseto.
A primeira e mais óbvia é evitar os locais com grande população de mosquitos. Outra medida é ter maiores cuidados no amanhecer e entardecer (fechar as janelas), momentos do dia em que os mosquitos ficam mais ativos. Nestes horários, algumas medidas físicas podem ajudar a evitar as picadas:
– uso de redes ou mosquiteiros nos berços e carrinhos;
– uso de roupas que cubram mais o corpo da criança (mangas e calças compridas). O problema é o calor que, na maioria das vezes, impede o uso destas roupas. Mas, dentro do possível, quanto mais coberto ficar o corpo, menos área de exposição, menos chance de ser picado;
– evitar roupas com cores vivas ou padrões florais. Alguns estudos mostram uma maior atração dos mosquitos por cores vivas e padrões florais;
– evitar perfumes, colônias, sabonetes e xampus muito cheirosos ou que deixem seu perfume por longo tempo. Aparentemente, o odor de perfumes, colônias, sabonetes e xampus podem atrair os mosquitos;
– finalmente, usar repelentes na área exposta do corpo.
Duas perguntas surgem, com frequência. Qual o melhor repelente e a partir de que idade pode ser usado?

O repelente com maior eficácia se chama DEET- dietil toluamida. Trata-se de um repelente desenvolvido para o exército dos EUA, em 1946. Desde os anos 50 que se encontra à venda para a população em geral. Portanto, é um repelente com mais de 50 anos de uso e experiência. No Brasil, as principais marcas de repelentes apresentam o DEET em sua fórmula. Autan, Off e Repelex são alguns exemplos de marcas conhecidas que utilizam o DEET como princípio ativo. O que pode variar de uma marca ou apresentação para outra é a concentração de DEET. Uma concentração maior de  DEET não significa que o repelente seja mais forte. Quanto maior a concentração de DEET, maior o tempo de ação, não a sua potência. Alguns estudos mostram que concentrações acima de 30% de DEET não trariam grandes vantagens em termos de duração da ação do repelente. Ainda assim, algumas apresentações possuem 50% de DEET.


Com relação à idade em que se pode usar o repelente, esta varia em função da fonte ou organismo que se consulte. No Brasil, por determinação legal, os rótulos de repelentes informam que somente devem ser usados a partir de 2 anos de idade. Já a Academia Americana de Pediatria, amparada pelo CDC de Atlanta, considera seguro o uso de repelentes à base de DEET, a partir de 2 meses de idade. Uma enorme diferença! Muitos pediatras acabam recomendando o uso a partir de 6 meses de idade. Pessoalmente, acho pouco provável que a Academia Americana de Pediatria fosse emitir um parecer que colocasse em risco as crianças.  O que considero importante, tanto mais que vivemos uma situação de alto risco para dengue, é que o uso de repelentes em bebês, não é proibido ou contra-indicado de forma universal.
Além do DEET, existem outros tipos de repelente. No nosso meio, não raro ouvimos falar do repelentes naturais ou de óleos botânicos. Destes, aparentemente as velas de andiroba possuem uma boa ação repelente, com a ressalva de que atua apenas na área ao seu redor. A citronela, muito comentada, também tem  ação repelente. No entanto, esta é de curtíssima duração e, por este motivo, não é recomendada.
Os repelentes eletrônicos, que emitem ondas ultrassônicas não possuem comprovação da sua eficácia.
O uso de complexo B ou vitamina B1, bem como a ingestão de alho, não produzem efeito repelente significativo, se é que produzem algum. Seu uso não está indicado.

Algumas dicas para o uso de repelentes:
– sempre leia o rótulo e instruções de uso do produto;
– nunca deixe que crianças pequenas apliquem o produto sozinhas;
–  se o produto é apresentado em aerosol ou spray, aplique um pouco na sua mão e passe na criança. Não faça um jato direto sobre a criança;
– não use repelente em área do corpo coberta por roupa;
– aplique o repelente nas áreas descobertas: braços, pernas, atrás das orelhas e no pescoço. Reaplique até 3 vezes no dia;
– use uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Colocar mais repelente não aumenta sua potência ou tempo de ação:
não use repelente em área onde a pele esteja irritada, com algum ferimento ou corte;
– não passe o repelente nas mãos das crianças menores para evitar que esfreguem repelente nos olhos ou coloquem na boca;

Como podem ver, a prevenção da picada de mosquitos envolve três grandes ações: evitar que o mosquito se multiplique, criar barreiras físicas para o mosquito e, finalmente, usar repelentes químicos ou naturais para afastar os mosquitos. Neste post apenas comentei sobre repelentes para uso no corpo.


Imagens: Google
Fonte texto: Pediatra Roberto Cooper: http://robertocooper.com/



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