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segunda-feira, 14 de julho de 2014

AS TEMÍVEIS PIRRAÇAS, COMO LIDAR COM ELAS?


Muitas pessoas me diziam para aproveitar o Caleb bem novinho, porque depois que ele chegasse na fase dos 2 aninhos, as pirraças começariam. Eu nem dava muita ideia para o que as pessoas falavam, porque na minha cabeça cada criança é diferente e tem uma personalidade. E como o Caleb sempre foi tranquilo desde quando nasceu, era um recém- nascido que se deixasse dormia a noite toda. Um ano passou voando, e hoje o meu príncipe está perto de completar 2 anos. As pirraças do Caleb, começaram quando ele estava com 1 ano e meio. Você fala não para ele, e na mesma hora a sua reação é chorar, gritar ou esperniar. Confesso que isso me deixa muito chateada, e irritada, principalmente quando estou em público. A maioria das pirraças que ele faz é em público. Além de aguentar as pirraças dele, ainda tenho que aturar os olhares de reprovação das pessoas.
O pior disso tudo, é que muitas pessoas quando vê uma criança fazendo pirraça, culpa a mãe, principalmente quando essa mãe fica por conta da criança o dia inteiro. Dando a entender que a criança não teve educação suficiente, ou é mimada pela mãe. Mas nem sempre é assim, infelizmente pelo o que eu vejo, a maioria das crianças dessa geração estão assim, pirracentas e muitas vezes por nada. Querem tudo do jeito delas, e na hora! 
O que eu tenho feito com o Caleb e que tem funcionado é, eu ignoro as pirraças dele. Quando ele começa a gritar ou a esperniar no chão, eu saio andando e finjo que nem estou vendo, ele perde a graça na hora e para de fazer birra. Rsrsrs!

Para que vocês entendam melhor sobre a pirraça e como lidar com ela, abaixo está um texto muito bacana do médico pediatra, Dr. Roberto Cooper, ele é do Rio de Janeiro,e tem um blog onde escreve assuntos sobre á saúde da criança e do adolescente. De vez em quando eu converso com ele,tiro algumas dúvidas. O Dr Roberto gostou muito do Glacê Baby, e  me autorizou postar matérias dele aqui no blog.


A pirraça é uma reação esperada da criança à alguma frustração. Em geral essa frustração vem ou do fato de não conseguir fazer algo que estava tentando fazer não conseguindo comunicar direito o que deseja ou por uma restrição imposta por adultos a uma vontade sua. Portanto, para haver pirraça deve haver vontade e esta existe quando processo de independência da criança se inicia. No final do primeiro ano e mais intensamente no segundo ano de vida, a criança começa a querer fazer as coisas sozinha (se vestir, comer, tomar banho etc.) ou explorar o mundo de acordo com sua curiosidade (rasgar livros, puxar coisas, enfiar o dedo na boca do cachorro, colocar a mão dentro da privada etc.). O poeta Vinicius de Moraes definiu muito bem o que é ter filhos no Poema Enjoadinho. Neste, a respeito da curiosidade, independência e vontade própria dos pequerruchos, escreveu: Chupam gilete, Bebem shampoo, Ateiam fogo no quarteirão….
A primeira coisa difícil no lidar com a pirraça é que, ao mesmo tempo em que os pais devem permitir que os filhos expressem suas emoções, devem também ajudá-los a reduzir as reações violentas e comportamentos agressivos. Mais uma vez não há receita pronta que nos ensine quanto de restritivo e quanto de permissivo devemos ser. Tentativa e erro é único método que existe. Cansa, dá trabalho,  mas os resultados compensam. Ousar, mudar, tentar coisas diferentes e aprender com elas, faz parte da alegria de ser pai e mãe. Mesmo sem regras, seguem algumas dicas:
  • Distraia seu filho. Ao perceber que está começando a ficar irritado ou frustrado, tente mudar o foco da sua atenção. Mostre algo ou inicie uma nova atividade. A capacidade de fixar a atenção, nesta idade, é baixa e distraí-lo assim que os primeiros sinais de que algo não vai bem, pode ajudá-lo.
  • Ignore a pirraça. Se não conseguir distraí-lo, não dê atenção ao comportamento pirracento. Verifique apenas que ele não tem nenhuma chance de se machucar. Cada vez que reage à pirraça, mesmo brigando ou castigando, pode estar “recompensando-o” com mais atenção (que era o objetivo original dele!)
  • Não passe vergonha. Se estiver em local publico e o seu comportamento for constrangedor, simplesmente tire-o do ambiente, sem discussão ou briga. Leve-o para outro ambiente e espere até que se acalme para poder retornar ao que estava fazendo.
  • Não pode bater, nem morder. Se a pirraça incluir bater, morder ou qualquer outro comportamento que potencialmente possa machucá-lo ou a outra pessoa, você não deve ignorá-lo. Diga, imediatamente, de forma clara e objetiva, com o tom adequado de voz (severo, sem gritar) que não deve se comportar daquela forma e tire-o da situação por alguns minutos. Não tente estabelecer um diálogo com explicações elaboradas ou lógicas porque, nesta idade (2-3 anos) ele não as entenderá. Nesta idade, perguntas como: você gostaria que alguém fizesse isso com você? ainda não fazem sentido para ele. Simplesmente faça-o compreender que o que ele fez estava errado. Uma frase como: não pode bater ou morder. Isso é feio. surtirá muito mais efeito do que longas explicações sobre porque não se deve bater e morder.
  • Castigo, na hora. Se você julgar que algum tipo de punição é necessária, aplique-a na hora e não mais tarde. A criança, nesta idade, não consegue fazer a conexão entre o comportamento que tiveram e um castigo horas mais tarde. O castigo deve ser dado dentro do limite do desenvolvimento da criança. Se for para pensar no que fez, nesta idade, 5 minutos, no máximo!
  • Nada de castigos físicos. Por mais irritado ou irritada que esteja (e estará), nunca aplique castigos físicos. Se o fizer, a mensagem ou ensinamento que estará passando é que a agressão é uma forma aceitável de reagir quando se deseja algo. Castigo físico seria bater, beliscar, puxar o cabelo ou qualquer outra ação que provocasse dor ou medo na criança.
  • Abrace com força e firmeza. Não é castigo físico conter com firmeza uma criança. Muitas vezes, é essa contenção firme (como em um abraço bem apertado), acompanhado de uma voz tranquila e serena, que consegue acalmar um ataque de pirraça.
Finalmente, uma observação sincera. Escrever sobre pirraça em um blog é facílimo. Na hora em que seu filho está ali, urrando com se estivesse sendo massacrado e as pessoas te olham com espanto, é que as coisas ficam realmente difíceis. Portanto, exercite a sua paciência e criatividade, pensando nessas situações, antes que ocorram. Se tudo der errado, tente algo bem humorado. Bom humor espanta a raiva e esta é péssima conselheira!


Autor: Dr. Roberto Cooper



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